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Queda de cabelo na mulher: para além da genética

Porque é que o ferro, a menopausa e os micronutrientes explicam grande parte da queda de cabelo feminina e o que a ciência recomenda.
14 October 2026 by
Queda de cabelo na mulher: para além da genética
Geral GSNM

A queda de cabelo é frequentemente atribuída à genética, mas, na mulher, a realidade é mais complexa. Um dos padrões mais comuns é o eflúvio telógeno, uma queda difusa em que um número anormal de folículos entra em fase de repouso e cai algumas semanas ou meses depois de um “gatilho”: uma dieta restritiva, o pós-parto, stress intenso, uma doença aguda ou alterações hormonais. A boa notícia é que, ao contrário da alopecia androgénica, este tipo de queda é muitas vezes reversível quando se corrige a causa. [1,2]


Ferro: o fator mais subvalorizado

A ferritina é a proteína que guarda o ferro em reserva no corpo, conhecida como “armazém do ferro”. Medir a ferritina numa análise diz-nos quanto ferro temos guardado e é um dos sinais mais úteis na queda difusa. A ferritina desce muito antes de ser diagnosticada anemia. Por isso, é possível ter o hemograma “normal” e, ainda assim, ter poucas reservas de ferro para alimentar o cabelo. Num estudo recente com mulheres com queda de cabelo, a falta de ferro foi a causa mais frequente (cerca de 70% dos casos) e os autores apontaram como desejável uma ferritina acima de 50 ng/mL para sustentar o crescimento capilar. [3,4]


Porque é que o ferro f​az tanta falta ao cabelo? 

O bolbo capilar, ou seja, a “raíz” de onde o cabelo cresce, é uma das zonas do corpo onde as células se multiplicam mais depressa. Durante a fase de crescimento (anágena), essas células dividem-se de forma contínua e, para se dividirem, precisam de ferro: a peça essencial de uma enzima (ribonucleótido-redutase) que ajuda a duplicar o ADN de novas células. Quando o ferro escasseia, essa “linha de montagem” abranda, o cabelo interrompe mais cedo a fase de crescimento e passa antes do tempo à fase de repouso (telógena) que, semanas depois, se traduz num aumento da queda (eflúvio telógeno). Como o cabelo não é essencial à sobrevivência, quando falta ferro o corpo reserva-o primeiro para os órgãos vitais, por isso, o couro cabeludo e unhas são dos primeiros a sofrer alterações. [3,5]

Nota importante: o ferro só deve ser suplementado quando há um défice comprovado por análises. Tomar ferro sem necessidade e aconselhamento pode ser prejudicial. [3]


Menopausa: quando o e​quilíbrio hormon​al ​mud​a

Na perimenopausa e menopausa, a descida dos estrogénios encurta a fase de crescimento do cabelo e aumenta a influência relativa dos androgénios, resultando em afinamento e maior queda. É uma fase em que o aporte de micronutrientes e de ácidos gordos essenciais ganha relevância acrescida, como parte de uma abordagem global. [6,7]

Curiosamente, estas mudanças no cabelo podem começar bem mais cedo: até 10 anos antes de a menstruação parar, ainda na fase de transição. No centro deste processo está o estrogénio, uma hormona com efeito protetor sobre o folículo capilar, que prolonga a fase de crescimento (anágena) e contrabalança a ação dos androgénios, as hormonas que, quando a sua influência aumenta, favorecem o afinamento e a queda do cabelo. Quando o estrogénio desce, essa proteção perde-se e o cabelo cresce durante menos tempo e os androgénios passam a dominar, encolhendo o folículo e deixando os fios mais finos, fracos e menos densos. Junta-se a isto um pormenor menos conhecido: o próprio folículo parece também “entrar em menopausa”, passando a receber menos energia e menos sangue e a sofrer mais desgaste oxidativo. [6,7]

A boa notícia é que nem todas as mulheres são afetadas da mesma forma: a genética, o stress e a alimentação também pesam, o que faz desta fase um bom momento para avaliar e reforçar o aporte de nutrientes estratégicos. [1,6]


Ómega-3, antioxidantes e micr​onu​trientes: o q​ue diz a evidência

Para além do ferro, a integridade do folículo capilar é dependente de zinco, cobre, selénio, vitaminas do complexo B, vitamina C, aminoácidos sulfurados (como a L-cisteína) e ácidos gordos essenciais. A L-cisteína é um bloco de construção da queratina, a vitamina C melhora a absorção do ferro e o zinco participa na renovação folicular. O zinco e o selénio reforçam ainda a defesa antioxidante do folículo, e o cobre participa na formação e na pigmentação do fio. São, no conjunto, carências corrigíveis e reconhecidas como fatores de risco modificáveis na queda de cabelo. [1,3,8]

O cabelo é constituído sobretudo por queratina, uma proteína estrutural que o folículo sintetiza a partir de aminoácidos (como a cisteína e a metionina), formando uma “ponte” que confere coesão, resistência e elasticidade à fibra capilar. Quando o aporte proteico é insuficiente, esta síntese fica comprometida e o cabelo tende a nascer mais fino e quebradiço. [2,8]

As células da matriz do folículo estão entre as que se dividem mais depressa em todo o organismo, o que as torna particularmente dependentes das vitaminas do complexo B. A vitamina B12 e o folato participam na síntese de ADN indispensável a cada nova divisão celular, enquanto outras vitaminas B intervêm no metabolismo energético que sustenta esse crescimento. No entanto, o benefício é claro quando existe uma carência a corrigir, mas suplementar quem já tem níveis adequados não acelera o crescimento capilar, sendo importante avaliar antes de suplementar. [1,8]

Os ácidos gordos essenciais ómega-3 e ómega-6 (particularmente ácido gama-linolénico (GLA)) não são produzidos pelo organismo e têm de ser obtidos pela alimentação. Integram as membranas celulares e exercem uma ação anti-inflamatória que favorece o microambiente do couro cabeludo, enquanto os antioxidantes, como as vitaminas C e E, ajudam a conter o stress oxidativo que degrada o folículo. [9,10]


On​de entra o SUPER HAIR.

A fórmula combina ómega-3 (EPA/DHA), GLA do óleo de borragem, L-cisteína, ferro, zinco, vitamina C e complexo B, refletindo a lógica multifatorial que a evidência sugere para a saúde capilar. Não substitui a investigação da causa, mas apoia o folículo enquanto se corrige o “gatilho”. Além disso, a evidência indica que combinações de nutrientes tendem a ser mais eficazes do que um único ingrediente isolado. [9,10]


Refer​ência​s

1. Guo EL, Katta R. Diet and hair loss: effects of nutrient deficiency and supplement use. Dermatology Practical & Conceptual. 2017;7(1):1–10. https://doi.org/10.5826/dpc.0701a01

2. Malkud S. Telogen effluvium: a review. Journal of Clinical and Diagnostic Research. 2015;9(9):WE01–WE03. https://doi.org/10.7860/JCDR/2015/15219.6492

3. Rushton DH. Nutritional factors and hair loss. Clinical and Experimental Dermatology. 2002;27(5):396–404. https://doi.org/10.1046/j.1365-2230.2002.01076.x

4. Lin CS, Chan LY, Wang JH, Chang CH. Diagnosis and treatment of female alopecia: focusing on the iron deficiency-related alopecia. Tzu Chi Medical Journal. 2023;35(4):322–328. Pesquisa do artigo no PubMed

5. Kwon SA, Bu SY, Kim YH, Lim JW, Vulpe CD, Lee SM. Iron deficiency-induced hair loss is associated with ROS-mediated disruption of Wnt/β-catenin signaling. Nutrients. 2026. Pesquisa do artigo no PubMed

6. Grymowicz M, Rudnicka E, Podfigurna A, et al. Hormonal effects on hair follicles. International Journal of Molecular Sciences. 2020;21(15):5342. https://doi.org/10.3390/ijms21155342

7. Le Floc'h C, Cheniti A, Connétable S, et al. Effect of a nutritional supplement on hair loss in women. Journal of Cosmetic Dermatology. 2015;14(1):76–82. Pesquisa do artigo no PubMed

8. Almohanna HM, Ahmed AA, Tsatalis JP, Tosti A. The role of vitamins and minerals in hair loss: a review. Dermatology and Therapy. 2019;9:51–70. https://doi.org/10.1007/s13555-018-0278-6

9. Le Floc'h C, Cheniti A, Connétable S, et al. Effect of a nutritional supplement on hair loss in women. Journal of Cosmetic Dermatology. 2015;14(1):76–82. Pesquisa do artigo no PubMed

10. Finner AM. Nutrition and hair: deficiencies and supplements. Dermatologic Clinics. 2013;31(1):167–172. https://doi.org/10.1016/j.det.2012.08.015